Vergonha (2008)
Outro dia li uma crônica na coluna da Martha Medeiros, e me idenfiquei muito. Tratava-se de uma crônica onde ela dizia que é do tempo em que as pessoas sentiam “vergonha” e explicava em detalhes, para quem não é desse tempo, o que isso queria dizer à época, como por exemplo o ato de ruborizar!!!
Tal texto não me saiu da cabeça e passei a pensar em outras coisas que não vejo mais na maioria das pessoas. Uma delas, pensei, é uma tal “consideração”!!! Alguém se lembra disso??? Sou de uma época em que as pessoas faziam ou deixavam de fazer alguma coisa “em consideração a alguém”!!! Dito assim, parece exagero, mas parem para pensar!!!! Hoje isso não existe mais, da parte da maioria das pessoas!!! Ao invés de dizerem: deixo de fazer isso em consideração a fulano, ou faço isso por consideração a fulano, elas simplesmente dizem: Bem fulano, sei que isso te chateia, te magoa, te prejudica, te ferra, etc… mas você entende né??? Afinal tenho que ver meu lado. né???? E esperam cândida e simplesmente que o fulano diga: Claro querido(a), pode me ferrar à vontade, pois afinal, você tem mesmo que ver o seu lado!!! E nós do tempo da tal consideração, enfim, dizemos isso mesmo e o tal sicrano sai feliz da vida pisando por cima de nossa tristeza, nosso sofrimento, nosso desespero e diz: Legal, fulano entendeu, afinal, eu tinha mesmo que ver meu lado né???? E todos concordam!!! Isso me soa muito engraçado e deparo com isso a todo instante. As pessoas que agem dessa maneira, em nenhum momento afinal, estão fazendo isso por mal. Elas acreditam mesmo que essa seja a melhor forma de proceder. Ao agirem assim, elas desprezam totalmente, qualquer passado, qualquer bem que você tenha feito a ela, qualquer confiança que lhe tenha depositado, qualquer favor que lhes tenha feito, qualquer ajuda que lhes tenha sido dada. E isso, ocorre da parte das mais variadas pessoas, das mais diferentes classes sociais ou grau de parentesco. É realmente um “modus vivendi!” que se instalou e parece que veio para ficar!!!
*Eugenia Carvalho é Bacharel em Direito graduada pela Universidade Gama Filho, Psicóloga graduada pelo UNI-IBMR e Escrivã de Justiça.
Tolerância X Religião
Uma vez, vi passar vociferando impropérios, um funcionário meu, contra uma colega de trabalho.
A referida colega, era uma pessoa tida e havida como fofoqueira da marca maior.
Era famosa por fazer intrigas e proferir piadinhas de gosto duvidoso, achando que os demais não percebiam a quem se dirigia.
De outra vez, vi o mesmo cidadão, esbravejando contra outro colega, pois tinha “sobrado” prá ele dois dias seguintes a incumbência de baixar a porta de aço do setor. Ele esbravejava com o semblante contorcido de ódio, rogando pragas a todos que cruzavam seu caminho.
E mais uma vez, fui testemunha dos desatinos dessa pessoa, dias após seu casamento, com a mulher da sua vida segundo afirmava, ensandecido com alguma coisa que ela quis fazer da qual discordava e chegaram então a vias de fato, tendo tal contenda culminado com o desfazimento do casamento.
Pois bem, nada demais, caso não fosse esse funcionário, uma pessoa que se dizia religiosa e temente a Deus.
Causou-me certa surpresa a ira que este demonstrava ao referir-se à infeliz criatura, do primeiro episódio citado, tanto quanto as reações exacerbadas nas demais.
Eu, que não tenho maiores formações religiosas, fiquei intrigada, pois sempre achei que as pessoas que conhecem, estuda e esmiúçam A PALAVRA, fossem diferentes dos demais mortais.
Perguntei ao indivíduo se não seria de bom alvitre que ele, que conhece as leis divinas e que as prolata mundo afora, fosse mais tolerante com aquele que ainda se encontra na “escuridão”?
Entendo que o comportamento exigido daquele que sabe alguma coisa mais que os outros, deva ser exemplar já que este, é, possuidor de um conhecimento maior e deveria ser mais tolerante com o próximo, já que não desfruta dos benefícios da ignorância.
Da mesma forma, é lícito esperar, que as pessoas que seguem os Mandamentos do Senhor, respeite um dos mais conhecidos que é: Amar ao próximo como Deus o amou, ou como ama a si mesmo.
Não se admite que tal pessoa tenha atitudes tão mundanas como a de sobrepujar o semelhante, ridicularizar o “ignorante”, espezinhar os desvalidos, desrespeitar o doente e tantos outros comportamentos condenáveis.
O respeito às individualidades, deveria estar presente na vida desta pessoa, no seu dia a dia.
Fazer prevalecer seus interesses em detrimento dos demais, não coaduna com os princípios evocados e aprendidos.
Jesus deu a outra face quando agredido.
Mas essa passagem não é lembrada pelas pessoas que querem ser agressivas e arrogantes. Elas sempre se lembram da Ira do Senhor, quando adentrou o templo e saiu destruindo tudo que via pela frente, diante da ofensa que via perpetrarem contra seu Pai.
Foi uma única vez onde temos relatado tal comportamento Divino, mas é a esse que os agressores e arrogantes se pegam.
Jesus, teve justo motivo para enraivecer-se daquela maneira, mas os bons exemplos que nos legou, são muito maiores do que qualquer ira que tenha tido uma vez, em Sua tão curta vida.
Entendo que todos somos humanos, mesmo as pessoas religiosas podem sair do sério de vez em quando. O que não entendo é a falta de preocupação e caridade humana das quais alguns são portadores renitentes.
Não perdoam, não toleram nada. Pisoteiam seu semelhante sem a menor cerimônia. Negam a esse o direito de errar, de ser diferente, de possuir gostos diferentes dos seus!
A raça humana é composta por suas diferenças. O que é bonito para uns, é horrível para outro. O que é saboroso para você, é odiado por mim. Os paladares e sensibilidades são diferentes e se queremos conviver em sociedade, temos que respeitar essas diferenças.
A neutralidade em ambientes comuns, é bem vinda!
Eu já disse isso em outra crônica, gostos pessoais, exerço no aconchego do meu lar. Lá, mando eu, lá escolho minhas preferências. Quando convivo com outras pessoas, tenho que me portar seguindo normas e comportamentos adequados ao meio em que vivo.
Não posso inovar, inventar, criar conceitos.
Vivemos numa democracia, num país laico.
Se queremos exercer nossas particularidades em público, devemos estar preparados para que todos à nossa volta façam o mesmo, o que geraria não uma democracia, mais um caos.
Sorte X Esforço Pessoal
Porque o ser humano sofre resistência em aceitar que a pessoa que consegue muitas coisas em sua vida, o fez por merecer?
E através de que estranho critério faz tais afirmações? Será que para uma pessoa que lutou a vida inteira, estudou anos à fio e por isso chegou a condição somente de poder comprar um bife hoje no cartão de crédito é mais sorte do que ter uma pensão vitalícia sem nunca ter trabalhado?
Dá para comparar realidades tão diferentes? O que é a felicidade para um? O que é fazer boa aplicação de seu dinheiro? O que são as escolhas de vida de cada pessoa?
Quem pode se arvorar em Juiz destas realidades?
Qual a motivação de pessoas que cismam e insistem em fazer tais comparações? A inveja? Doença? Sarcasmo? O que então?
Como comparar quem fez o melhor casamento, quem teve o melhor filho, sem avaliar que no caso do casamento, a escolha foi, espero, pessoal e no caso do filho, fruto da criação e educação dada.
É fácil atribuir ao alheio o resultado de tais escolhas sem se responsabilizar por suas atitudes!
Talvez grande parte dessas questões, pudessem ser resolvidas, em terapia, mas as pessoas resistem, não querem se conhecer, não querem melhorar, para justamente poderem continuar atribuindo à sorte do outro estar em melhor situação do que a sua! Mas bem explicado, estar em melhor situação, a seu ver, claro!
Não importa ouvir o outro, saber os caminhos que percorreu, tentar aprender com estes, trocar idéias. Importa sim, recriminar, desmerecer, desvalorizar o mérito alheio, para com isso abrandar a própria torpeza, a própria incapacidade, a própria preguiça!
As oportunidades, são oferecidas a todos. À alguns, em bandejas de prata, para outros, em bandejas de ouro e para tantos outros, incrustadas em pedra, enterradas em abismos profundos de onde só serão retiradas depois de muitas escavações. Mas que estão oferecidas para todos, isso é certo.
Por que então invejar que as cavou em abismos profundos se não quis usufruir àquelas que lhe foram dadas em bandejas de ouro?
Foi melhor brincar do que trabalhar? Lamentável!
O futuro era visto como muito distante e não se preocupou com ele? Lamentável também!
Acreditou só no país??? Coitado!!! Acreditou na bondade dos familiares? Que ingenuidade!
Enfim, não correu atrás? Que pena!!!
Mas não venha agora, destilar seu veneno, sua mágoa, em cima de quem trabalhou!
Sorte X Azar
Eventos do cotidiano, sempre intrigaram a humanidade pelas razões pelas quais ocorrem ou deixam de ocorrer.
Para a ciência, não há meios de se provar que ela existe realmente, e portanto, é uma denominação adequada a uma seqüência de eventos cuja importância fantástica leva a classificação na categoria das ocorrências dominadas pela sorte (Wikipédia).
Assim, resta o questionamento: se não é sorte, é o que??? Não se encaixa na dúvida suscitada, o Princípio da Força da Atração, pelas razões que serão expostas.
O indivíduo que pauta sua vida dentro de princípios legais, morais e éticos, não o faz por temer atrair ou não para si uma punição ou evento desagradável, mas faz simplesmente pela falta de desejo de transgredir.
Já o transgressor, leva a vida “na flauta”, desafia o perigo com práticas que desabonam a conduta de qualquer mortal. Sonega, falseia a verdade, adultera, pratica falsidades ideológicas, e tantas outras falcatruas!
O intrigante começa, ao observarmos, que na maioria das vezes, o transgressor se dá bem. Não é descoberto, continua a usurpar direito e faltar obrigações, falsear a verdade e assim segue sua vida sem que nada lhe importune.
E o indivíduo correto, sempre é importunado. Mesmo agindo dentro da maior legalidade e correção, é colocado em dúvida, questionado, importunado e leva a vida tendo que provar que é honesto.
Tal mistério parecia já intrigar Rui Barbosa : De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
Se ele tinha esses pensamentos desalentadores, que dirá nós pessoas normais!
Mas então, nós, pensadores, cientistas e amantes da verdade, continuamos tentando desvendar esse mistério.
Uma conhecida de minha mãe, teve menos resistência nessa busca, suicidou-se. Deixou uma carta onde dizia: Não consigo entender esse mundo!
Claro que não pretendemos chegar a esse ponto, mas que é de pirar é.
No cotidiano, em situações simples, vemos diuturnamente esses fatos acontecerem. Não acredito em coincidência, em caráter repetitivo e constante.
Por isso, suponho haver alguma outra força que impulsiona tais acontecimentos.
Se levarmos para a esfera religiosa, menos ainda se explicaria, já que teríamos que supor que um anjo do mal, vela pelos interesses do maldoso.
Para a neurolinguística, a sorte é consequência da conduta gerada por um comportamento continuado e insistente, marcante ou não. Falar sempre a palavra “azar” ao invés de “sorte” podem, conforme a teoria, levar ao sucesso ou ao azar por criar toda uma malha de comportamentos derivados da essência neurolinguística da palavra, que contaminaria todo o restante do comportamento. Assim, ela torna-se também uma hipótese de didática, e também uma possibilidade comportamental relacionada ao sucesso (Wikipédia).
Também não satisfaz tal explicação, já que conhecido da maioria, a palavra caiu em desuso e hoje ninguém diz que tem azar, no mínimo falta de sorte.
Enfim, é isso, continuamos a busca, e quem souber a resposta, por favor me diga!
Eugenia Carvalho é Psicologa graduada pelo UNI-IBMR, bacharel em Direito e Escrivã do Judiciário fluminense.
Ser disponível!
No nosso dia a dia, nos deparamos com uma situação muito interessante que merece que pensemos sobre ela.
Trata-se de “ser disponível”.
Esse termo parece difícil de entender, mas é simples se exemplificarmos com situações do dia a dia.
Eu trabalho 8 horas por dia, não tenho empregada, tenho marido, uma casa enorme para cuidar, adoro ler, ficar no computador, sair para passear e almoçar fora, me divirtir, curto minha piscina, faço compras, vou a médicos, dentistas, faço exames, fisioterapia e até cozinho de vez em quando.
Administro um sem número de contas a pagar com vencimentos distintos e administro um setor com 10 funcionários.
Além disso, recebo prestadores de serviço em minha casa, contrato os referidos serviços, etc.
No passado, além disso, tinha filho para cuidar e foi muito bem cuidado e hoje segue sua vida.
Morava em cidade que ficava 120 km de meu trabalho, e mesmo assim nessa época fiz duas faculdades de 5 anos completos cada.
Além disso, fiz vários cursos de extensão e aprimoramento em minhas carreiras.
Ah… ia esquecendo e ainda faço minhas refeições e durmo…!!!
Diante disso poder-se-ia pensar que sou e sempre fui uma pessoa que não tenho tempo para nada.
Pois bem, nunca aconteceu em minha vida, de não poder atender um telefone por estar envolvida em uma das situações acima.
Sempre encontro alguns minutos para atender quem me telefona, seja ele amigo ou representante de telemarketing.
Um amigo então, atendo sempre, em qualquer circunstância, esteja eu fazendo o que estiver. Mesmo quando estou dormindo, e a hora da ligação não é muito própria, procuro disfarçar para não constranger meu interlocutor.
O mesmo ocorre na parte financeira. Por mais enrolada que me encontre, não consigo dizer não a um pedido de compra de uma rifa para ajudar alguém, dar uns trocados para o aniversário de um colega de trabalho, mesmo que tenha que usar o cheque especial para isso.
Por essa razão fico pensando no que me separa de outras pessoas.
Para mim, não posso dar aos meus amigos e colegas, ou a quem a mim recorra por alguma razão, apenas o tempo que me sobra. Dedico a estes, o “meu” tempo. Ou seja, tiro de mim para dar, não dou somente as sobras.
Percebo que algumas pessoas, usam sua disponibilidade da forma que melhor lhe convém.
Acham que aos amigos devem ser dadas as migalhas. Colocam-se em primeiro lugar em tudo.
Às vezes, me sinto impulsionada a agir da mesma maneira, mas para assim agir, faria um esforço muito maior do que agir naturalmente, por isso desisto. Mas temo ser entendida como idiota.
É claro que percebo quando me esnobam, mas não tomo isso como ofensa pessoal, nem tramo um revide.
Por outro lado, faço o impossível para não precisar incomodar ou “alugar” ninguém.
Não espero que façam nada por mim e fico muito grata quando recebo qualquer ajuda.
Jamais espero reconhecimento ou agradecimento pelas caridades que pratico.
Não me aproveito de situações e não quero benefícios que não me caibam por direito.
Se algum amigo tem alguma habilidade, não espero que a usem em meu benefício e se contrato algum serviço destes, é pensando no justo pagamento, pois se os amigos não nos procuram os inimigos é que não o farão.
Mas não é isso que vejo por ai. Nos dias de hoje as pessoas estão muito individualistas. No entanto, não se inibem quando é para proveito próprio.
Ao fazer um elogio a algum colega, faço com justiça. Se não gosto, me calo. Mas parece que ao elogiarmos uma habilidade de uma pessoa, ela imediatamente se coloca na defensiva como se fossemos usurpar seu trabalho ou se aproveitar de alguma forma.
Às vezes, nem curtimos tanto assim aquela habilidade, mas elogiamos por educação, ou por sabermos que para aquela pessoa aquilo é importante. Mas isso não ocorre em via de mão dupla.
O cidadão que cozinha bem, ao elogiarmos seu trabalho, logo afirma que não está disponível para cozinhar para ninguém. Se é o cara que pinta, borda, costura, logo se defende dizendo que o material é caríssimo e não pode dar de graça pra ninguém!!! Isso é uma constante!
Gente, não quero nada de ninguém, muito menos de graça!!! Acalmem-se!!!
Os amigos que me conhecem, desafio publicamente cada um deles a dizerem se já levaram algum prejuízo comigo!
Se me chamam para almoçar, sempre procuro colaborar de alguma forma e quando os recebo, procuro retribuir em dobro o que me ofereceram!
As coisas que sei fazer, ou que de alguma forma tenho acesso, adoro dividir, compartilhar, oferecer, doar, sem distinção de nada e sem esperar nada. Não acho que as pessoas tenham que agir dessa forma, respeito a maneira de ser de cada um, mas fico triste quando percebo a “retranca” que eles adotam quando falamos sobre o assunto.
Sempre Coitados!
Sempre Coitados!
Me pediram para falar desse tema que como muitos outros desafiam nossa sanidade!
O Coitado!!!
Consultando o Dicionário Aurélio, vemos que:
coitado
adj.
1. Desgraçado.
interj.
2. Pobre dele!
Pois bem, no meu ensino básico e fundamental, aprendi que a palavra coitado, deriva de coito e coito, sabemos bem o que significa, daí o coitado então seria…bem, você sabe!
Uma diferença grande separa no entanto, esse sujeito, daquele que quer ser, se manter, permanecer, usufruir dessa triste condição.
Falta-lhe vaidade mínima, orgulho básico em ser uma pessoa que luta, que consegue, que desafia a vida, o mundo, as intempéries em busca de um lugar ao sol.
Lhe atrai a condição de desgraçado!
Para desfrutar então de tal reputação, desenvolve técnicas especiais de fazer transparecer essa mísera condição em que sempre diz se encontrar!
O sujeito chora, esperneia, se lamenta, ameaça matar-se, usa os filhos, a mãe, o pai, o avô, o marido, qualquer um para conseguir sensibilizar sua vítima da “infeliz” condição em que afirma se encontrar.
Isso não ocorre uma vez só, pois o coitado é sempre coitado.
Assegura, que somente ele é vítima das agruras que a vida lhe proporciona.
Desmerece o sofrimento, o esforço e a dificuldade alheia. Para esse sujeito, só ele passa por dificuldades!
O sucesso do outro? Ora, sorte, claro!
O outro nunca passou pelo que ele passa. Os problemas dos outros é fichinha perto do dele. O outro, aquele sortudo, tem tudo de mão beijada, as benesses lhe caem ao colo!
Nem por um momento pára para tentar entender o que os distancia! Autocrítica, palavra que não consta do dicionário do “Coitado”. Ele tenta convencer a todos e por fim convence a si mesmo de que é sim um desgraçado.
O pior de tudo isso é que tal convencimento é tão perfeito, tão genuíno que ao final de cada trágico episódio, apesar de conseguir tudo que queria, cai em depressão.
Isso porque, o coitado é um saco sem fundo. Ninguém consegue tapar tal buraco.
Pessoas de boa fé, caem em sua lábia uma, duas, três, quinhentas mil vezes e nunca conseguirá satisfazê-lo pois em muito pouco tempo, outra “desgraça” abater-se-á sobre ele.
Aos que duvidam da veracidade da tragédia, rogam praga: Você ainda vai passar por isso!!! Quero que você sinta o que estou sentindo! Você não sabe o que é isso!!!
É então que a situação se complica ainda mais, pois não entende ele, que o outro passa, ou já passou por situações até piores, a única diferença é a forma de reagir, de transparecer, de gostar de carregar como um estandarte a sua penúria.
As suas doenças, são prenúncio de um Apocalipse! Suas dificuldades financeiras, nem os EUA sabem o que significa pois crise de verdade, só acontece com ele!
Suas doenças, as mais raras e avassaladoras e sempre podem ser curadas com a colaboração da vítima escolhida, que diga-se de passagem é qualquer um de boa-fé!
Emprego? Nem pensar, os melhores vão mesmo para o sortudo. Quando sobra pra ele, coitado, só as rebarbas e essa ele não quer.
O coitado pode ganhar prêmios, heranças, brindes, ajudas, até a mega sena para ele é pouco!
Não se iluda, seu caos não tem fim, pois o que ele tem na verdade, é um caos interno e esse, ninguém supre.
Para tapar esse buraco, o coitado precisa de ajuda psicológica, mas ele não procura. Pode ser de graça, dada de presente, oferecida de qualquer forma, ele recusa, pois não lhe interessa sair do buraco.
Sair do buraco dá trabalho e isso é para o sortudo não para ele, que ou bem ou mal, consegue tudo.
À custa de qualquer humilhação, isso não importa pois ele tem um dom supremo de abstrair essa parte, o que conta mesmo é que conseguiu!
O coitado faz escola e consegue disseminar sua condição para muitos, daí sempre existirá uma legião de coitadinhos.
O sortudo não se sente feliz de ver o coitado, mas não enxerga nele o que ele quer que seja visto.
Vê nele, condições de lutar, de correr atrás, de brigar como briga o sortudo, pois sabe que para ele, isso traria uma satisfação desconhecida deste, que depois que ele provar, vai rir da época em que era um coitado, vai ver que não dói, que enobrece, que gratifica, que é muito bom mesmo conseguir as coisas unicamente com seus esforços.
E contrariando esse ser, vou lhe dizer: Quero o seu bem, quero te ver fora dessa, pois a mim ou a qualquer outro sortudo, não agrada te ver nessa condição. Ninguém é maquiavélico a esse ponto. Se tens dúvida, leia o texto sobre o Egocentrismo desta autora. O blog é pessoal e nele expresso meus humildes pensamentos, minha visão sobre os temas, sem querer ser a dona da verdade, mas se eu conseguir ajudar alguém com eles, me sentirei ainda mais sortuda. Se conseguir tirar ao menos um coitado dessa condição, valeu a pena, mas sei que é uma luta inglória. O conhecido é mais confortável sempre.
Pobre vítima, mas por outro lado, esse lugar também pode ser deixado, pois a melhor glória de um sádico é encontrar um masoquista pela frente.
Mas isso será objeto de outro texto. Deixar de ser vitima do coitado, também é questão de opção, tão difícil quanto a deste.



